Índios Kaapor participam de reunião no Campus Castanhal

Membros da etnia indígena Kaapor, que vivem ao longo do Rio Gurupi, no Maranhão, estiveram no Campus da UFPA em Castanhal nesta sexta, 24, para dar continuidade ao processo de construção de um projeto pedagógico próprio, que vem sendo formulado com a participação de pesquisadores dos campi de Castanhal e de Bragança.

Entenda a história - A professora doutora Cristina Caldas, do Programa de Pós-Graduação em Linguagens e Saberes na Amazônia, do Campus de Bragança, estuda, há alguns anos, a língua Kaapor. Em 2014, a professora convidou pesquisadores para um evento que lhes proporcionou a possibilidade de conhecerem a realidade dessa comunidade indígena. Desse evento, participou o professor doutor José Guilherme Fernandes, do Campus de Castanhal, que vem atuando na construção do currículo para os índios. O professor fala sobre a importância desse trabalho.

“Estamos atuando numa proposta que valorize a cultura, a língua e a identidade desse povo. Infelizmente, o Brasil é um dos poucos países da América do Sul que não reconhece as línguas indígenas como línguas oficiais do território. E há também outro aspecto a ser considerado: com esse trabalho, nós estamos proporcionando aos bolsistas envolvidos, uma vivência de pesquisa que é muito válida para a sua formação. E, por último, essa é uma oportunidade para que a Universidade traga para o seu contexto essas discussões e insira no currículo dos cursos de graduação esse conhecimento mais tradicional. É isso que chamamos de interculturalidade, é esse contato entre culturas diferentes no sentido de promover, de forma recíproca, a inclusão de conhecimentos”.

E esses conhecimentos precisam ser preservados, de acordo com Itahu Kaapor, Gestor na Escola Ywytuhu, que participou do encontro realizado no Campus de Castanhal.

“Nós queremos continuar zelando por nossa pintura, por nossa maneira de nos alimentarmos, nossas crenças, nossa língua e foi por isso que procuramos a UFPA. Aqui encontramos pessoas que respeitam a nossa cultura. Queremos, agora, mais parceiros que apoiem essa educação indígena diferenciada”.

Os índios Kaapor não encontraram esse apoio no Estado do Maranhão. Foi o que revelou Marilza Kaapor, que também é gestora escolar.

“Os nossos governantes não querem contribuir com as nossas ideias. Lá, o nosso projeto não é reconhecido e o Estado não participa das nossas discussões. E com a UFPA nós estamos avançando em propostas que sejam boas para o nosso povo”.

Para o coordenador do Campus de Castanhal, professor João Batista, parcerias como a que está sendo estabelecida com os índios Kaapor são fundamentais para a universidade.

“No Campus de Castanhal ainda não tínhamos nenhuma ação nessa direção, as nossas graduações ainda não proporcionam nenhum estágio, nenhuma forma de contato dos nossos alunos com essas culturas. Essa é uma oportunidade para que nós criemos laços com comunidades indígenas e avancemos nesse campo de estudo e pesquisa”.

A partir da reunião realizada no Campus, foi estabelecida uma agenda, que vai garantir a continuidade dos trabalhos de construção do projeto pedagógico dos Kaapor. No dia 10 de março será realizado um seminário em Castanhal e nos dias 11 e 12, pesquisadores dos campi de Castanhal e Bragança, além de professores da Escola de Aplicação da UFPA, farão uma visita técnica à terra indígena Alto Turiaçu, no Maranhão, onde vivem os Kaapor.

Texto: Paula Lopes – Ascom UFPA/Castanhal
Fotos: Ranny Luz

Índios Kaapor participam de reunião no Campus Castanhal

 

Membros da etnia indígena Kaapor, que vivem ao longo do Rio Gurupi, no Maranhão, estiveram no Campus da UFPA em Castanhal nesta sexta, 24, para dar continuidade ao processo de construção de um projeto pedagógico próprio, que vem sendo formulado com a participação de pesquisadores dos campi de Castanhal e de Bragança.

 

Entenda a história – A professora doutora Cristina Caldas, do Programa de Pós-Graduação em Linguagens e Saberes na Amazônia, do Campus de Bragança, estuda, há alguns anos, a língua Kaapor. Em 2014, a professora convidou pesquisadores para um evento que lhes proporcionou a possibilidade de conhecerem a realidade dessa comunidade indígena. Desse evento, participou o professor doutor José Guilherme Fernandes, do Campus de Castanhal, que vem atuando na construção do currículo para os índios. O professor fala sobre a importância desse trabalho.

 

“Estamos atuando numa proposta que valorize a cultura, a língua e a identidade desse povo. Infelizmente, o Brasil é um dos poucos países da América do Sul que não reconhece as línguas indígenas como línguas oficiais do território. E há também outro aspecto a ser considerado: com esse trabalho, nós estamos proporcionando aos bolsistas envolvidos, uma vivência de pesquisa que é muito válida para a sua formação. E, por último, essa é uma oportunidade para que a Universidade traga para o seu contexto essas discussões e insira no currículo dos cursos de graduação esse conhecimento mais tradicional. É isso que chamamos de interculturalidade, é esse contato entre culturas diferentes no sentido de promover, de forma recíproca, a inclusão de conhecimentos”.

 

E esses conhecimentos precisam ser preservados, de acordo com Itahu Kaapor, Gestor na Escola Ywytuhu, que participou do encontro realizado no Campus de Castanhal.

 

“Nós queremos continuar zelando por nossa pintura, por nossa maneira de nos alimentarmos, nossas crenças, nossa língua e foi por isso que procuramos a UFPA. Aqui encontramos pessoas que respeitam a nossa cultura. Queremos, agora, mais parceiros que apoiem essa educação indígena diferenciada”.

 

Os índios Kaapor não encontraram esse apoio no Estado do Maranhão. Foi o que revelou Marilza Kaapor, que também é gestora escolar.

 

“Os nossos governantes não querem contribuir com as nossas ideias. Lá, o nosso projeto não é reconhecido e o Estado não participa das nossas discussões. E com a UFPA nós estamos avançando em propostas que sejam boas para o nosso povo”.

 

Para o coordenador do Campus de Castanhal, professor João Batista, parcerias como a que está sendo estabelecida com os índios Kaapor são fundamentais para a universidade.

 

“No Campus de Castanhal ainda não tínhamos nenhuma ação nessa direção, as nossas graduações ainda não proporcionam nenhum estágio, nenhuma forma de contato dos nossos alunos com essas culturas. Essa é uma oportunidade para que nós criemos laços com comunidades indígenas e avancemos nesse campo de estudo e pesquisa”.

 

A partir da reunião realizada no Campus, foi estabelecida uma agenda, que vai garantir a continuidade dos trabalhos de construção do projeto pedagógico dos Kaapor. No dia 10 de março será realizado um seminário em Castanhal e nos dias 11 e 12, pesquisadores dos campi de Castanhal e Bragança, além de professores da Escola de Aplicação da UFPA, farão uma visita técnica à terra indígena Alto Turiaçu, no Maranhão, onde vivem os Kaapor.

 

Texto: Paula Lopes – Ascom UFPA/Castanhal

Fotos: Ranny Luz

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